Clínicas revelam aumento do número de cães “chapados”

Aumentou a intoxicação de cachorros por consumo de maconha

Desde a aprovação da lei de uso recreativo, em 2016, as clínicas dos Estados Unidos vêm acusando um crescimento de intoxicação de cachorros por consumo de maconha.

Dos 50 estados que formam os EUA, somente três que ainda proíbem o uso da cannabis, seja recreativo, medicinal ou ambos os casos. Em janeiro 2020, Illinois se tornou o 11o estado a legalizar o uso recreativo (além do medicinal) da maconha.

As leis que regulamentam essa liberação, em geral, tratam da erva cannabis com baixo teor de tetrahidrocanabinol – THC (com efeito psicotrópico)  e alto teor de canabidiol – CBD, que produz efeito sedativo.

Clínicas alertam para os riscos

A Universidade de Grafton,  Massachusetts foi uma das primeiras a dar o alerta, quando notaram um aumento significativo dos casos de intoxicação de cachorros por maconha.

De 5 casos ao ano, os veterinários da instituição começaram a atender até 25 casos por mês. “Pode ser que, anteriormente, os tutores ficassem preocupados, por que era uma substância ilícita e reportassem outra coisa aos veterinários ou nem levassem para atendimento”, comentou a Dra. Elisabeth Rozanski, diretora da Universidade.

Em Nova Iorque, o Animal Medical Center de Manhattan tem recebimento ao menos um atendimento diário de intoxicação de cachorros por consumo de maconha.

Esconder do veterinário ou não levar imediatamente à clinica um cachorro intoxicado por maconha, amplia o risco de sérias consequências. Enquanto que, para o humano, a maconha serve como relaxante, para os cachorros o efeito é oposto e dez vez maior do que no humano.

Os efeitos no cachorro após consumo de maconha

Ao ingerir acidentalmente, usadas em bolos, bolachas ou ainda em tijolos, os cachorros começam a apresentar dificuldade para andar e salivam excessivamente.

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Outros podem apresentar sensibilidade exagerada à luz ou barulhos. Podem também apresentar urina involuntária e prostração.

O tratamento do pet “chapado”

O veterinário, ao saber do ocorrido e dos sintomas do pet, começará os primeiros procedimentos, que é, geralmente, fazer o cão vomitar e depois manter a hidratação e o cachorro em observação em um espaço tranquilo e com pouca luz.

A diretora médica do Centro Nacional de Controle de Venenos para Animais –  A.S.P.C.A., de Nova Iorque, doutora Tina Wismer, relata que não conhece uma única morte de um cachorro por consumo de maconha e que também não envolve chocolate, o que é altamente tóxico.

“Mas alguns chegaram perto. Nós sempre brincávamos sobre o tratamento da maconha com fluidos e Doritos e Pink Floyd”, disse Wismer. “Mas tivemos uma intoxicação séria – animais que se tornam em coma, com pressão sanguínea extremamente baixa”, completou a diretora.

O oléo de canabidol, não causa intoxicação em cachorros como a maconha

É importante ressaltar que medicamentos à base de canabidiol já são utilizados há anos em todo o mundo, como é o caso do óleo CBD. E, também, existem medicamentos de uso veterinário que estão sendo receitados e aplicados com sucesso em muitos tratamentos.

Obviamente, esses medicamentos precisam ser receitados pelos veterinários.

E no Brasil…

Ainda não há um alerta ou estudo desse assunto, apesar da ocorrência ser bastante conhecida das clínicas veterinárias.

O Brasil, a exemplo de Bangladesh, Camboja Egito, Índia , Irã, Laos, Lesoto, Marrocos, Myanmar, Nepal, Paquistão, Polônia, Tailândia e Vietnã, o uso é ilegal. Ainda que, no Brasil, para pequenas quantidades e uso pessoal, desde 2006 , o usuário não é preso.

Já a cannabis de uso medicinal a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, autorizou o uso com recomendação e receita médica para produtos com THC e/ou CBD, sendo que o paciente pode comprar os medicamentos direto nas farmácias.

A frase típica de Eric, da série That 70’s Show, após consumir maconha com seus amigos “I am so baked” (algo como “Estou tão chapado”), pode parecer engraçada na TV, mas  não é nada saudável (is not cool) para os cachorros.

ABSTRACT
Clinics reveal an increase in the number of “stoned” dogs

Since the adoption of the recreational use law in 2016, clinics in the United States have seen an increase in dog poisoning from marijuana use.

New York clinics point out that cases of marijuana poisoning in dogs jumped from 5 a year to 25 cases a month. One of the reasons for this great leap may be the fact that tutors hide the real causes from veterinarians.

However, hiding from the vet or even not taking an intoxicated dog to the clinic, increases the risk of serious consequences. While for humans, marijuana serves as a relaxant, for dogs the effect is the opposite and ten times greater than in humans.

The veterinarian, upon understanding of what happened to the pet, will begin the first procedures, which is usually to make the dog vomit and then keep the dog hydrated and under observation in a quiet place with low light.

 Eric's typical line, from the Netflix series That 70's Show, after consuming marijuana with his friends “I am so baked” (something like “I'm so stoned”), may seem funny on TV, but it's not cool at all for dogs.

Collaboration and text in English by Felipe Paiola ==== Colaboração e texto em inglês de Felipe Paiola

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