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Coleiras eletrônicas para cães devem ser proibidas

Coleiras eletrônicas estão sendo proibidas em vários países
Filhote de Boston Terrier usando e-collar.

As coleiras eletrônicas voltaram ao noticiário internacional com o anúncio de que alguns países poderão proibir seu uso e comercialização.

Para muitos especialistas, o uso de coleiras eletrônicas, também chamadas de e-collars, não é um métodos apropriado para treinamentos de cães. Por isso, muitas organizações respeitáveis de treinamento de cães e órgãos certificadores têm ecoado este ponto de vista.

Este debate não é recente. Por exemplo, o uso de coleiras de choque remonta ao final dos anos 1960. Já em 1999, a Sociedade para a Prevenção da Crueldade contra os Animais SPCA, de Singapura e outros países, já apoiava uma proposta de proibição desses colarinhos.

As e-collars já estão proibidas na Dinamarca, Noruega, Suécia, Áustria, Suíça, Eslovênia, Alemanha, País de Gales, Escócia e em alguns estados da Austrália.

Por outro lado, há treinadores adeptos da e-collar, que estão induzindo os tutores a acreditar que a obediência canina pode ser alcançada com esses equipamentos.

Pets tensos e robotizados

Em países como Singapura, Indonésia e Filipinas, filhotes de até seis meses de idade são vistos andando no parque com coleiras eletrônicas.

O que se nota é um comportamento antinatural dos pets, que parecem autômatos sendo puxados por guias.

A linguagem corporal deles é tensa e cheia de ansiedade. Entretanto, os treinadores que usam a coleira elétrica orienta que os cães caminhem em linha com seus donos e tenham seus olhos constantemente fixos em seus donos.

Leia também: Cannabis para pets ainda causa controvérsia

Os especialistas rebatem

Veterinários, especialistas em comportamento animal e adestradores rebatem os argumentos, alertando que é totalmente possível alcançar um nível de precisão e obediência sem o das coleiras eletrônicas.

Para estes, a menos que o tutor use no momento certo e com uma voltagem suficiente para suprimir certos comportamentos, as coleiras eletrônicas não ensinam o comportamento alternativo que o tutor espera..

Ao invés disso, elas levantam preocupações de bem-estar.

Os riscos das e-collars

Há algumas décadas, a orientação era que os tutores de animais de estimação deveriam dominar seus pets. Resultando assim em métodos de treinamento desumanos, pois deviam prender, estrangular, chutar e punir os animais, em nome do aprendizado.

Hoje, o foco está em eliminar as agressões para garantir o bem-estar dos cães, promovendo um bom relacionamento com o dono. Por exemplo, o objetivo é ensinar o comportamento alternativo escolhendo soluções de treinamento que sejam menos intrusivas e minimamente invasivas.

A intensidade do choque por uma coleira eletrônica pode variar entre os cães, há diferentes níveis de reação ao mesmo nível de choque.

Alguns cães têm sido vistos saltando e rodopiando quando recebem a descarga, enquanto outros podem se contrair. É também a imprevisibilidade do momento do choque, que é uma questão de bem-estar.

Ao contrário do que muitos pregam, o tutor não pode tirar conclusões sobre os riscos, por exemplo, ao experimentar em si mesmo, porque ele sabe exatamente quando vai receber o choque e, ainda, o seu organismo é muito diferente.

E existem numerosos métodos de adestramento que são muito mais humanos e positivos. Os adestradores sempre alertam que o treinamento é uma jornada para toda a vida, entre tutor e seu cão, pois os comportamentos devem ser reforçados diariamente.

As reação das organizações de proteção

A Sociedade para a Prevenção da Crueldade contra os Animais (SPCA) de Singapura renovou seu apelo, pedindo para que governo proibir as coleiras eletrônicas, afirmando que esse dispositivo não tem lugar no treinamento de pets.

O governo local, entretanto, quer ouvir especialistas, a favor e contra e os produtores do equipamento, e também receber laudos técnicos para dar a decisão final.

O Pet Shop News é contrário a qualquer forma de crueldade e agressão a qualquer ser vivo e defende o uso de métodos positivos e civilizados para a educação dos pets.

Observação:

Até 2015, vários dicionários da Língua Portuguesa admitiam as duas formas de escrita: Cingapura (Brasil) e Singapura (Portugal). Em 2016, a grafia Singapura passou a ser única. A embaixada de Singapura anunciou a mudança em seu site. Leia aqui.

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